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Polícia prende suspeitos de vender materiais piratas para concursos no Rio
Publicado em 22/07/2020 13:07

Investigações apontam que hackers faturaram R$ 15 milhões.

(Polícia Civil do Rio de Janeiro/Divulgação)

Uma quadrilha que pirateava materiais de cursinhos preparatórios para concursos públicos foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio na manhã desta terça-feira (21). A ação, que ocorreu simultaneamente nos estados do Rio e de Minas Gerais, foi batizada de Operação Black Hawk.

 

Nove pessoas foram presas. O grupo teria causado um prejuízo estimado em R$ 65 milhões aos cursos oficiais e lucrado cerca de R$ 15 milhões com o crime.

 

De acordo com as investigações, eles comercializavam cursos preparatórios pirateados, inclusive para a área de segurança pública, como Polícia Civil, Polícia Federal e Rodoviária Federal, além de carreiras fiscais e jurídicas.

 

Os cursos originais, que custam entre R$ 500 e R$ 10 mil, eram pirateados e vendidos no site do grupo criminoso com até 10% a menos do valor original.

 

Entre os presos está Alessandro Jesus Cabral, que é policial militar do 16º BPM (Olaria). O PM é irmão do homem apontado como líder da quadrilha, Antônio de Jesus Cabral, que também foi preso. Antônio é ex-aluno da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, na região das Agulhas Negras.

 

Ainda conforme as investigações, o hacker da quadrilha, Lothar Alberto Rossmann, 71, foi preso, em Minas, com R$ 15.600 em espécie. Ele era o responsável por quebrar a criptografia do streaming de vídeo dos cursos oficiais e transferir os arquivos para uma nuvem própria, onde as aulas eram disponibilizadas para os clientes das plataformas virtuais gerenciadas por Antônio Jesus.

 

As investigações apontam que, para ocultar a grande movimentação financeira, o Antônio Jesus utilizava parentes como laranjas --a mãe, Verônica de Jesus Conceição, e o irmão, Alessandro, eram dois deles.

 

Durante a investigação, os policiais descobriram que a mãe dele, que possui um pequeno salão de cabeleireiro, teve movimentação bancária de cerca de R$ 1,5 milhão e ganho líquido de cerca de R$ 500 mil em operações de bolsas de valores conforme análise do Relatório de Inteligência Financeira (RIF).

 

Na ação desta terça-feira, os agentes também estão fazendo o levantamento do patrimônio dos envolvidos no esquema. Eles querem identificar os bens adquiridos com dinheiro de origem ilícita. O objetivo é o sequestro judicial dos recursos.

 

Os compradores identificados na investigação poderão responder pelos crimes de receptação, com pena de até quatro anos. Eles ainda podem ser desclassificados dos concursos.

 

Além dos nove mandados de prisão, a operação pretende cumprir outros 19 de busca e apreensão nas cidades de Rio; Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; Niterói e São Gonçalo, na região metropolitana; e Saquarema e Araruama, na região dos Lagos, além das cidades mineiras de Juiz de Fora e Borda da Mata.

Fonte: Waleska Borges - Folha de S. Paulo

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