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Dona de abrigo na Grande BH denuncia envenenamento em cães, mas é presa por maus-tratos
Publicado em 14/07/2020 17:07

Ouvida na condição de vítima, mulher é indiciada pela Polícia Civil junto ao marido por crimes contra animais, como envenenamento e transporte ilegal. De 74 cachorros, 69 morreram.

(Foto: TV Globo / Divulgação)

A Polícia Civil indiciou por maus-tratos a dona de um abrigo de animais em Contagem, na Região Metropolitana. A investigação começou quando dezenas de cães foram encontrados mortos em março. Na ocasião, a mulher havia feito um boletim de ocorrência denunciando envenenamento – 69 cachorros morreram. Mas houve uma reviravolta no caso.

 

Na ocasião, a dona de um lar temporário para cães denunciou que animais do local haviam sido envenenados. A Polícia Civil iniciou, então, uma investigação sobre a real causa da morte. E foram constatados vários crimes de maus-tratos.

 

"O primeiro deles foi em relação ao transporte dos animais em um caminhão baú sem sistema de refrigeração ou ventilação, e sem a caixa de proteção. E ficaram dentro do caminhão por 1h30", comentou a delegada Sthefhany Martins.

 

De acordo com a investigação, a mudança seria do local antigo (que ficava em Contagem) para um novo, em Ribeirão das Neves – por isso o caso estava sendo investigado lá. A polícia descobriu que a responsável teria recebido um valor de R$ 30 de cada dono de animal para fazer o transporte adequado.

 

"Como o caminhão não apareceu, ela usou um do tipo transporte de carga, que levaria a mobília da família", revelou a delegada.

 

Ainda segundo a Polícia Civil, o marido da mulher viajou junto com os animais, dentro do baú, por volta de 15 minutos. Mas, como não conseguiu respirar direito e sentiu muito calor, foi para a cabine. Ele teria sido alertado pelas pessoas que realizavam a mudança para conferir o estado dos cães durante o trajeto. Mas o homem pediu que a viagem prosseguisse sem paradas.

 

Envenenamento

Chegando ao local, os cães estavam debilitados e alguns já sem vida. Foi quando a dona do abrigo chamou a polícia e denunciou o envenenamento. Disse que passaria carvão ativado na boca dos animais, para cessar a intoxicação. Mas exames periciais constataram a presença apenas do material conhecido como "chumbinho", que envenenou os cães, e nem um resquício de carvão mineral.

 

Dos 74 cães de responsabilidade da dona do abrigo, 69 morreram. Ela e o marido foram indiciados por maus-tratos e crime de fraude processual.

 

O que diz o casal

O advogado que representa os proprietários do abrigo, Thiago Guimarães Pedrosa, disse que os clientes negam os crimes. E que eles têm prova dos bons serviços prestados durante os 15 anos que trabalharam com o negócio.

 

Segundo o advogado, nunca houve reclamação, e a maioria dos animais eram resgatados pelas ruas. Ele disse ainda que tem provas de visitações de órgãos ambientais atestando a qualidade dos serviços prestados pelo casal.

 

De acordo com delegada da Polícia Civil, o inquérito vai ser encaminhado ao Ministério Público, que pode solicitar que a mulher seja ouvida novamente. Os cães sobreviventes foram devolvidos para ela, que os entregaram aos donos que os deixavam no abrigo.

Fonte: MG1

Foto: Reprodução / PCMG
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