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Casos de feminicídio disparam em Minas Gerais
Publicado em 30/11/2018 09:11

Em poucos dias, pelo menos três mulheres são assassinadas no estado por homens insatisfeitos com o possível fim dos relacionamentos. Em BH, corpo foi escondido em lote no Bairro Buritis.

(Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Na semana em que se lembra o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher (25 de novembro), a disparada dos casos de feminicídio chama a atenção em Minas. O crime mais recentemente divulgado foi solucionado pela Delegacia de Homicídios do Barreiro, que esclareceu o assassinato de Lucilene Carla da Silva Aniceto Mendes, de 36 anos, cujo corpo foi encontrado no último sábado em um lote vago do Bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte. O acusado é o marido da vítima, o caminhoneiro Marcelo Silveira Miguez Mendes, de 42. Em Salinas, no Norte de Minas, o ex-companheiro também é apontado como responsável pela morte de uma mulher de 48 anos, executada na frente do filho. E em Lima Duarte, na Zona da Mata, um homem de 43 assumiu ter assassinado a companheira, de 17, e os dois filhos do casal.

No assassinato descoberto em Belo Horizonte, Marcelo Mendes é acusado de tentar ludibriar não só a polícia, mas também a família da vítima e uma amiga dela, de nome Raquel. Segundo o delegado Daniel Buchmuller, a vítima foi encontrada por um ambulante, na Rua Rubens Caporali, Bairro Buritis. Lá o vendedor percebeu uma lona preta, onde o corpo estava escondido. Chamou a polícia.

Quando os policiais chegaram, descobriram um celular no bolso traseiro de Lucilene, junto de um pedaço de papel, com o telefone do marido. “Ligamos para o número e Marcelo atendeu e caiu em contradição. Na primeira delas, foi logo falando que não tinha nada com o desaparecimento da esposa, com quem tem um filho de 6 anos, que hoje está com a irmã dele”, diz o delegado.

Policiais descobriram com parentes que Lucilene pretendia se separar de Marcelo, e que o marido não aceitava a decisão. Segundo a polícia, para tentar ocultar o crime Marcelo ligou para uma amiga de Lucilene, Raquel. Disse a ela que deveria contar à polícia, caso fosse procurada, que tinha estado com a amiga, bebendo em um bar no Bairro Ouro Preto, e que não tinha tido mais notícias depois que se despediram.

Marcelo enviou também mensagens a Raquel e a familiares da vítima, passando-se por Lucilene, mas estas continham muitos erros de português, o que não era comum por parte da vítima. Ao depor, parentes dela levantaram suspeitas de que ela estivesse sendo dopada. Contaram também já haver, por parte de Lucilene, uma data para a separação, exatamente o dia em que foi morta.

Marcelo foi preso na manhã de quarta-feira (28). À tarde foi levado para o Instituto Médico-Legal, para exames nos braços e pernas, que estavam arranhados e roxos. “Provavelmente, a mulher lutou enquanto era esganada, por isso os ferimentos”, afirma o delegado. O criminoso deixou o filho do casal na casa de sua irmã, de madrugada, no mesmo dia do crime.

Na Zona da Mata, já está em uma unidade do sistema prisional Róbson Carvalho da Silva, de 43, que confessou ter assassinado dois filhos, o mais velho de 1 ano e meio e um bebê de 6 meses, e a companheira, de 17, em Lima Duarte. De acordo com o delegado José Márcio de Almeida Lopes, responsável pelo caso, o autor confessou o crime. Disse que matou os três, pois o sogro queria a separação do casal.

Já em Salinas, José Gomes Teixeira, de 31, foi preso ao tentar fugir do município depois da morte da ex-mulher, Maria Aparecida, de 48, assassinada com golpes de picareta na frente do filho de 8 anos. Segundo a Polícia Militar, ele confessou o crime e afirmou que estava insatisfeito com o fim do relacionamento.

Fonte: Ivan Drummond e João Henrique do Vale – Estado de Minas

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