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PBH vai investir R$ 4 milhões em câmeras e alarmes em 252 unidades de saúde
Publicado em 07/11/2018 11:11

Centro de Saúde Jaqueline II foi arrombado no fim de semana; criminosos danificaram computadores, portas e janelas.

(Foto: Maurício Vieira / Hoje Em dia)

Câmeras de monitoramento, sistema de alarme e cerca elétrica. O aparato de segurança é a nova arma para tentar conter os frequentes casos de violência registrados nos centros de saúde de Belo Horizonte. A partir de janeiro de 2019, todos os locais terão vigilância 24 horas por dia. O gasto anual será de R$ 4 milhões.

No primeiro semestre deste ano, 297 ocorrências de arrombamentos, furtos, ameaças e até agressões aos profissionais foram anotadas pela Guarda Municipal. No mesmo período de 2017 foram 347 queixas.

Além dos centros de saúde, Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), espaços de referência e especialidades médicas, farmácias, dentre outros, contarão com a medida. Ao todo, são 252 pontos. Uma empresa será contratada para prestar o serviço após a publicação de edital, ainda neste mês.

“Estudamos integrar a fiscalização à Guarda Municipal no menor tempo possível”, disse Fernanda Girão, subsecretária de Orçamento, Gestão e Finanças da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA). “O valor gasto é menor do que o investimento com um porteiro fixo nos centros de saúde”. A pasta foi questionada sobre os prejuízos causados pelos arrombamentos, mas não se pronunciou.

Avaliação

Professor da UFMG e pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), Frederico Marinho diz que a medida é importante, mas faz ressalvas. “Esse kit básico ajuda a prevenir. Contudo, é necessário um diagnóstico do problema e que o mesmo seja apresentado à população”. Para o especialista, só a partir de um estudo mais detalhado será possível identificar as melhores estratégias de combate.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel), Israel Arimar, é mais categórico. Para ele, a ação anunciada não resolve o problema. O representante da categoria acredita que a segurança só será garantida com a volta dos porteiros. “Isso apenas reduz os danos, mas não impede os estragos”, criticou.

Em nota, a SMSA informou que monitora “os episódios de violência na unidade de saúde para nortear as ações estratégicas que serão implantadas – em conjunto com a Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção – a fim de garantir maior segurança aos usuários e trabalhadores”. Além disso, o serviço Patrulha SUS, que faz a vigilância por meio de veículos e agentes da Guarda Municipal, será ampliado no próximo ano.

Transtornos

O caso mais recente de violência ocorreu no fim de semana, no Centro de Saúde Jaqueline II, na região Norte. Bandidos quebraram um vidro da portaria para arrombar o espaço. Computadores e janelas foram destruídos, mas nada foi levado. O posto ficou fechado na segunda-feira, prejudicando os atendimentos à população.

“Estava tudo sujo de sangue. Eles (criminosos) se cortaram nos vidros”, disse uma funcionária da unidade, que pediu para não ser identificada. “Estamos trabalhando com medo”, acrescentou.

Nessa terça-feira (6), a aposentada Maria Auxiliadora Silveira, de 68 anos, foi ao local dar prosseguimento ao tratamento de diabetes, após perder a consulta agendada. “É triste, atrapalha muito, além do desgaste de vir novamente aqui. Espero que encontrem uma solução”.

Fonte: Simon Nascimento – Hoje Em Dia com colaboração de Lucas Eduardo Soares

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