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Média de assassinatos quase dobra no Natal e no Réveillon
Publicado em 06/12/2017 10:12

Índice em dias normais é de 150 casos; já nos dois feriados do fim de ano passa para quase 300.

Para os familiares de Isamara Fillier, o fim de ano será tomado pela dor e saudade. Ela e mais 11 parentes foram cruelmente assassinados na festa da virada de 2016 para 2017. O ex-marido de Isamara entrou na casa onde todos comemoravam a passagem do ano e disparou vários tiros. Num primeiro momento, os vizinhos acharam que eram fogos de artifício. Mas a chacina na residência de uma única família em Campinas (SP) foi uma tragédia que espantou todo o país no dia primeiro de janeiro de 2017. Todos os anos, porém, quase três centenas de pessoas são mortas no dia específico do Réveillon no Brasil, assim como no Natal.

Enquanto a média diária de homicídios gira em torno de 150 ao longo de todo o ano, nas datas de 25 de dezembro e 1º de janeiro o número quase dobra, passando de 270 mortes.

O levantamento foi feito pelo cientista político Lucas Novaes a partir de dados do DataSUS, do Ministério da Saúde. Ele considerou um período de 15 anos, de 2000 a 2015, em todo o país.

Novaes atualmente trabalha em um instituto da França e divulgou os resultados para O TEMPO. “Percebi que, sempre que tem um feriado nacional, há um pico de homicídios, mas, no Ano Novo e no Natal, esse salto é ainda maior”, apontou Novaes. No Nordeste, por exemplo, onde a festa de São João, celebrada em 24 de junho, é uma data tradicional, sendo proclamado feriado em muitas cidades, os homicídios também crescem: passam de uma média diária de 50 para mais de 60 nesse dia.

Na avaliação do cientista político, esse comportamento em datas comemorativas é motivado por diversos fatores. “Pessoas se juntam e tomam uma decisão ruim nesses momentos”, opinou ele. A pesquisadora do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ludmila Ribeiro, acrescenta que o uso de bebidas alcoólicas nessas festas tende a impulsionar essas decisões ruins.

“Quando tem mais gente reunida, maior a probabilidade de um desentendimento ocorrer, além do uso de álcool aumentar o problema”, complementou Ludmila. Ela diz que já tinha conhecimento de estudos norte-americanos e europeus que apontam maior número de assassinatos no verão, por ser uma época quente, em que a população fica mais nas ruas.

A maioria dessas vítimas é de homens, segundo o levantamento de Novaes, que não inclui suicídios – outro tipo de morte mais comum em datas emotivas como o Natal. “Em média, para cada mulher morta morrem dez homens”, calculou o pesquisador, que não chegou a levantar a faixa etária das vítimas. Mesmo em menor quantidade, Ludmila chama atenção para os feminicídios nesses dias, quando as famílias costumam se reunir em casa, situação da chacina de Campinas. As páginas do Facebook das vítimas ainda estão no ar, com o dizer “em memória”.

Nelas é possível ver os planos que essas pessoas tinham para o novo ano ou como encerraram 2016 sem jamais imaginar que seria seu último ano. Isamara, em suas postagens desejava: “Para 2017, saúde, paz, prosperidade e muitas alegrias”.

Tiros. Segundo levantamento do cientista político Lucas Novaes, com base nas informações do DataSUS, 70% das mortes no Natal e Réveillon foram por arma de fogo.

SAIBA MAIS

Indulto. O pesquisador Lucas Novaes não acredita que o aumento dos homicídios esteja ligado ao indulto de Natal dos presos, que saem geralmente por mais dias no fim de ano. Esse crescimento da violência ocorre apenas nas datas específicas de Natal e Ano Novo. “Verifiquei também que não há o aumento das mortes por policiais, o que significa que, se tivesse relação com o indulto, teriam mais confrontos”, afirmou Novaes.

Registro. Em 2014, O TEMPO publicou matéria contabilizando as mortes do Natal em BH, somavam 12 entre a noite do dia 24 e a manhã do dia 25. Entre elas, foram oito assassinatos, além de uma tentativa de homicídio. Na ocasião, a Polícia Militar informou que épocas como o Natal e o Ano Novo costumam ter um maior índice de acidentes e assassinatos, por causa das comemorações regadas à álcool e os ânimos exaltados.

Fonte: Joana Suarez – O Tempo

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